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Julho 2006 O I Campeonato Jogando no Quintal de Improvisação Nosso mês de julho começou com uma grande roda. Recebemos em nossa sala de treinamento os artistas que no final de semana iriam disputar conosco o I Campeonato Jogando no Quintal de Improvisação. ![]() César Gouvêa (o Cizar Parker) foi quem deu início às boas vindas explicando a todos como se daria um jogo disputado não mais por dois, e sim, por quatro times em campo ! Quais seriam as cores dos times? Como ficaria o placar? Quem jogaria com quem? Todos disputariam todas as provas? A excitação era enorme , as perguntas eram infinitas,e a ansiedade tomou conta não só dos convidados, mas de todos nós. ![]() Era preciso fazer com que todos se sentissem o mais à vontade possível, afinal, se o espetáculo já é uma enorme fogueira para os jogadores da casa, imagine para quem vem de fora! Por mais talentosos e experientes que sejam os artistas que convidamos (e eles são muito mais do que isso) sabemos que não é fácil encarar setecentas pessoas num espetáculo que já existe e do qual você nunca fez parte. O primeiro passo foi escolher times cujos integrantes tivessem o mínimo de afinidade, seja por terem trabalhado juntos alguma vez, seja por uma linguagem parecida. Era bacana que Manela jogasse com Carla Candiotto (Grupo Le Plat du Jour – São Paulo), João Grandão com Mariana Muniz (Belo Horizonte), Blanche com Spirulina (Silvia Leblon – São Paulo), Chabilson com Andrei César Moscheto (Grupo Antropophocus- Curitiba), entre tantos outros exemplos. O segundo passo foi realizar uma batelada de jogos dividindo todos os atletas em jogadores e espectadores. Metade jogava, metade assistia. Depois invertíamos. Os que assistiam ficavam encarregados de lançar os temas. E assim todos puderam experimentar a prova dos objetos, a prova dos dez segundos, o abecedário, hora-lugar-país e emoção, etc. A banda também sofreria algumas mudanças: ao invés de se dividir em dois palquinhos ficaria concentrada de um lado só do gramado e também receberia convidados para abrilhantá-la. Foi o caso do Frederico no sax, do Montanha na bateria e do César Cara de Pau (ambos do Grupo Na Macaca) César, aliás,também jogou em campo e, pra quem não sabe, é irmão da Rubra. ![]() Pode parecer lugar comum dizer que para nós foi um enorme aprendizado. Mas de fato foi. Gente de fora nos traz a rara oportunidade de vermos o espetáculo com outros olhos, os mesmos jogos realizados de outras maneiras e novas formas de humor e de poesia. O frescor necessário a tudo o que se torna por demais familiar. (Repensar o formato do jogo e a proposta de encenação é também uma experiência interessante e sempre bem vinda. Que alterações feitas em prol do campeonato merecem permanecer nos espetáculos seguintes.) Quem foi ao estádio pode ver o resultado de tudo isso. Com quatro times em campo e dois placares, o espírito competitivo ficou mais exacerbado. A arquibancada mais pareceu um barco viking, com uma platéia sentada em brasa querendo ver sangue (no bom sentido, pelo amor de Deus!) É bom lembrarmos que o jogo de sábado foi logo após a derrota do ... bem, deixa pra lá. Começamos a frase só pra justificar as palavras do árbitro João Grandão que gritava ao microfone - o que vocês verão aqui é jogo! Jogo de verdade! Pra valeeeeer! - E a platéia urrava. Só de lembrar a gente arrepia. Mas, pra quem não esteve lá no Estádio da Pompéia, a gente garante: não houve rasteira, cotovelada e principalmente, nenhuma cabeçada no peito . Só paz, amor e jogo. Uma Mestra Que É Doutora
Tivemos o privilégio de participar de dois workshops ministrados por ela, especialmente para o Jogando no Quintal , em nosso espaço de treinamento e podemos dizer que o trabalho da Mariana deu uma espécie de ordem a casa. Não ordem no sentido careta da palavra , ordem anti-anarquia, anti-transgressão, anti-palhaço. Mas uma ordem construtiva, daquelas que ajudam a organizar o pensamento e a entender melhor a improvisação como técnica. Nosso segundo workshop com a Mariana foi logo depois do campeonato, com todos exaustos e felizes. Mariana dedicou os encontros principalmente à construção aristotélica da narrativa. Às diversas dinâmicas do nosso trabalho de improvisação em sala dávamos o carimbo identificador do protagonista, seu desejo, o conflito ou antagonismo, a transformação e o desfecho. Também escrevemos muito, lemos nossas estórias em voz alta antes de cada treinamento e rimos muito uns com os outros. Viramos algo que, como improvisadores, nós já somos e esquecemos. Viramos um pouco dramaturgos. Legitimados, porém, pela tão respeitada e às vezes temida palavra escrita. Salve Mariana! |